16.3.14

Caros amigos,

dia 19 de março tem ressaca de carnaval no Cachaça. Após dias intensos de purpurina e lixo, culminantes com a vitória laranja fosforescentes dos trabalhadores garis, voltamos a nossa missão de ocupação do Cinema Odeon BR, o maior, o mais lindo e o mais barato da cidade.

A sessão começa com o curta "Tempo do Mar", de Pedro de Moraes, de 1971. Filme de água, areia, contemplação e respiro. A equipe é da pesada, com imagens do imenso Mario Carneiro e música de ninguém menos do que Antônio Carlos Jobim. Recém restaurado, é um filme raro, pouquíssimo visto, desses que temos o maior prazer de exibir.

A sessão segue com a pré-estreia do primeiro longa de Felipe David Rodrigues, "A balada do provisório". O filme, que traz a história do malandro carioca André Provisório, pede benção ao cinema marginal e se joga pra comédia sem medo dos clichês. No elenco, Edson Zille, Clara Maria, Thiare Maia, Prazeres Barbosa, Mauk, Ricardo Gonçalves, Maria Clara Guim, Igor Paiva e Keyna Eleison. A musa Helena Ignez e Otávio III fazem participações especiais.

Após os filmes, degustação de cachaça no foyer, e papos animados com cerveja de latão do isopor. Do camarada ambulante ou do seu próprio. Carioca.

Dia 19 de março, às 20h30 no Cinema Odeon.
8 reais (meia, com filipeta) / 16 reais (inteira)

Esperamos por todos.
Abraços,
Cachaça Cinema Clube



9.1.14

Cachaça Cinema Clube



O Cachaça Cinema Clube inicia seu 12o. ano de existência no dia 15 de janeiro voltando às origens: sessão de curta metragens. E, como em sua noite de estreia, em 2002, exibe filmes realizados pelos seus organizadores. 
Parque Soviético, de Karen Black, é uma história de amor moribunda que se passa num cemitério ideológico - o monumento em Berlim erguido em homenagem ao exército russo que libertou a cidade, e o mundo, do domínio nazista. Uma DR na DDR, estrelada por Gustavo Jahn e Isabella Parkinson.

Estreando no Rio de Janeiro, O Triunfo dos Boçais, de Débora Butruce e Ricardo Rodrigues, é uma neochanchada sobre um americanófilo decadente, uma imigrante trambiqueira e um comunista freak, na última batalha da Guerra Fria. No elenco, Orsolya Balogh, o cineasta Pedro Rodrigues e Beck Caruso, além da participação especial de Hernani Heffner.


Seguindo o tema da Guerra Fria, neste ano em que lembraremos os 25 anos da queda do Muro de Berlim, exibiremos, com o apoio da distribuidora interfilm Berlin, um pequeno curta produzido pela DEFA Films, a empresa de cinema da Alemanha Oriental. Berlin, de 1977, dirigido por Uwe Belz, é um dos episódios de uma série de filmes musicais, e traz imagens históricas do lado esquerdo do muro, para os eternos críticos e também para os saudosistas.


E, do comando central da parte vermelha do mundo, a animação russa Tир (Campo de tiro), de 1979. Dirigida por Vladimir Tarasov, é uma crítica incisiva ao capitalist way of life.


A doutrinação política conta ainda com um filme surpresa.

E a noite prossegue com degustação de cachaça no foyer, com espaço para discussões políticas, estéticas e alguma esticada boêmia pelos arredores.

Dia 15 de janeiro, às 21h no Cinema Odeon BR.
Ingresso: 7 reais (meia para estudantes, idosos, e com filipeta) / 14 reais (inteira)

Feliz 2000 e catarse.
Пролетарии всех стран, соединяйтесь!

Abraços,
Cachaça Cinema Clube

5.9.12

Cachaça Cinema Clube
13 de setembro de 2012
Sessão de aniversário: 10 filmes para 10 anos

Criado em agosto de 2002, o Cachaça Cinema Clube comemora 10 anos de atividade no dia 13 de setembro, em sua 104a. sessão.

Ao longo desses anos, entre outras coisas, Lula foi eleito, reeleito e fez sua sucessora; viramos país emergente; milhões de pessoas ultrapassaram a linha de pobreza; pontos de cultura brotaram, floresceram e agora carecem de cuidados; viramos sede da Copa e das Olimpíadas; bateu-se o recorde de bilheteria de Dona Flor e seus dois maridos; não ganhamos o hexa nem o Oscar; e o cinema brasileiro virou novíssimo. E o Cachaça seguiu oferecendo ótimos filmes, cachaça e música uma vez por mês, no cinema Odeon, na Cinelândia, felizmente ainda de portas abertas. Uma década de amor e dedicação ao cinema brasileiro, de formação de público, de pesquisa, reflexão, celebração e pista. Uma década de Cachaça Cinema Clube!

Quem frequenta o Cachaça e/ou acompanha a programação, sabe que já exibimos todos os grandes filmes de praticamente todos os maiores diretores do cinema brasileiro. E também as obras das novas gerações. Clássicos, desconhecidos, lançamentos, novidades, raridades. Rever a lista dos mais de 500 curtas exibidos é como ver a história do cinema brasileiro, e isso é bem emocionante. Um verdadeiro motivo de orgulho.

Para o aniversário de 10 anos, escolhemos 10 filmes marcantes dessa trajetória, num clima de retrospectiva. Mas, como sempre, o Cachaça foge do óbvio e deixa os clássicos absolutos para outra ocasião. 10 maravilhosos filmes, alguns bastante conhecidos, outros pouco ou nada, que merecem ser vistos e revistos, sempre. E para deleite dos cinéfilos, todos os filmes serão exibidos em seu formato original: a boa e velha película 35mm. Imperdível.

A sessão inicia com uma ode de amor ao cineclubismo: O guru e os guris, de Jairo Ferreira, filme-invenção de 1972 com Maurice Legeard, um dos fundadores do Clube de Cinema de Santos.

O apreço que o Cachaça tem pela preservação audiovisual é apresentado em Maluco e Mágico, ficção mirabolante de 1927, dirigida por Wiliam Shoucair, típica obra encontrada em um arquivo de filmes.

Os abalos sísmicos da linguagem de Arthur Omar fazem de O inspetor, biografia artística de Jamil Warwar, lendário detetive brasileiro, um filme único no cinema nacional.

Animação brasileira das mais premiadas, Meow, filme de 1981 de Marcos Magalhães, apresenta a globalização cultural de forma sintética e didática. Não pense, beba.

Quando a simplicidade é mais forte que tudo: Cidadão Jatobá, de Maria Luiza Aboim, é um documentário lindo de morrer sobre índios do Xingu e uma canoa.

Ilustres como Fritz Lang, Claudia Cardinale e outros nomes do jetset do cinema internacional aproveitam o Festival Internacional de Cinema na cidade maravilhosa em Rio, capital mundial do cinema, filme de 1968.

Copa Mixta, documentário de José Joffily de 1980, é uma declaração de amor em forma de poema audiovisual pairando sobre o bairro mais famoso do país.

Precursor dos videoclipes, Mutantes, de Antônio Carlos Fontoura, é um passeio com o grupo de rock tropicalista em seu auge de beleza pela São Paulo de 1970.

E voltamos à década de 40 para apresentar mais um tesouro de cinemateca: Tabu, filme obscuro e renegado de Eurico Richers, traz a mítica bailarina alemã Felicitas Barreto num rito indígena em terras amazônicas nos idos de 1949.

Ivan Cardoso, cineasta que virou parceiro e já teve toda a sua obra em curta-metragem revista no Cachaça fecha a sessão com seu delirante À meia-noite com Glauber, para todos saírem da sessão a ponto de bala para a grande comemoração que se segue. 

Os filmes

O guru e os guris, de Jairo Ferreira, 1972, 11'
Semi-documentário sobre o cineclubismo brasileiro, focalizando um dos fundadores do Clube de Cinema de Santos: Maurice Legeard. Jairo Ferreira encontra na figura de Maurice Legeard a estratégia para falar da paixão pelos filmes, exercitando a linguagem de invenção que mobiliza sua trajetória como crítico e realizador. Dirigindo o Clube de Cinema de Santos, um dos mais antigos do país, Legeard encara o cineclubismo como uma maneira de aglutinar filmes, pessoas e idéias ao seu redor - seja na sala de cinema ou numa mesa de bar.

Maluco e Mágico, de Wiliam Shoucair, 1927, 10'
Em uma ilha, vive o esquisito povo que não trabalha. Mulheres brincam na praia, com toques de erotismo. Recém-chegado da Índia, onde cursou faquirismo, surge um mágico e também maluco, que causa confusões no local.

O inspetor, de Arthur Omar, 1988, 10'
A psicologia, os métodos e a filosofia de Jamil Warwar, detetive conhecido como o "Baretta Brasileiro".

Meow, de Marcos Magalhães, 1981, 8'
Um gato esfomeado fica sem leite e é convencido a tomar um certo refrigerante. Será ele mais uma vítima da globalização? Terá ele salvação?

Cidadão Jatobá, de Maria Luiza Aboim, 1987, 14'
Um grupo de índios jovens de diferentes etnias do Parque Nacional do Xingu aprende a construir a tradicional canoa feita da casca do jatobá. Devido às limitações do parque, esse tipo de canoa de rápido feitio, que servia principalmente para a exploração das redondezas, deixou de ser usada e só os mais velhos da aldeia ainda sabem construí-la.

Rio, capital mundial do cinema, de Arnaldo Jabor, 1968, 13’
Filmes brasileiros, produtores do nosso cinema, nossas obras cinematográficas repercutidas no exterior. A alegria que a cidade do Rio de Janeiro proporciona através do samba que contagia os artistas e participantes do Festival Internacional de Cinema, sedidado na cidade em seu IV centenário, entre eles Fritz Lang e Claudia Cardinale, entre outros ilustres.

Copa Mixta, de José Joffily, 1980, 10’
Documentário sobre Copacabana baseado em entrevistas, músicas e imagens do bairro.

Mutantes, de Antônio Carlos Fontoura, 1970, 7'
Um dia na cidade de São Paulo com Os Mutantes.

Tabu, de Eurico Richers, 1949, 5’
Recriação de um ritual indígena através de coreografia estilizada que culmina em um provocante quase nu feminino chocante para a época.

À meia-noite com Glauber, de Ivan Cardoso, 1997, 16’
O olho vorticista do ivampirante Ivan escolheu os seus totens, elegeu os seus emblemas, regeu em diadema os seus temas. Este filminvenção glauberélico, helioglauberiano, é uma partitura de iluminuras em mosaico, belas e brutas como pedras recém-saídas de seus geodos.
  

A festa de aniversário

Após os filmes, a noite prossegue no Cinema Odeon com a mais tradicional e concorrida degustação de cachaça do Rio de Janeiro, patrocinada pela Aguardente Claudionor. E no lendário Cine Íris, às 23h, haverá a festa de comemoração de 10 anos do cineclube, comandada por DJ H. A celebração especial continua em clima de retrospectiva, com show de Comanches, que retoma o espírito samba rock que marcou a fase inicial da festa do Cachaça. Celebrando os ícones da malandragem e influências da jovem guarda, a banda toca clássicos dos anos 60 e 70 temperados com um irresistível swing. No repertório do show encontram-se pérolas da pilantragem de Wilson Simonal, Jorge Ben, Marcos Valle e uma homenagem especial ao ator/cantor Mussum, dos Originais do Samba. A banda é composta por Sérgio Pascolato (voz, guitarra), Pedro Selector (baixo, trompete,  voz),  Robson Riva (bateria, voz) e Francisco Sartori (teclados, voz). Participação especial da cantora Luciana Lazulli e o mestre de cuíca Carlos Miranda. E para completar a noite, seguindo na proposta de apresentar novas sonoridades, convidamos Mahmundi, projeto da jovem compositora e musicista carioca Marcela Vale. Acompanhada de Lucas de Paiva (co-produção e sintetizadores) e Felipe Vellozo (baixo), Marcela se rodeia de efeitos sonoros e sinceridade para conquistar os ouvidos logo na primeira audição. Abençoada por uma escola musical liderada por Rita Lee e Marina Lima, todo o álbum parece ser tirado do auge dos anos 80, mas brilha com intensa força, no frescor de sua brasilidade redentora, fazendo das canções de Mahmundi algo ainda mais plural, contagiante e emocional.

Se segura, malandro.

Serviço
Cachaça Cinema Clube - 13 de setembro de 2012.
Sessão: Cinema Odeon Petrobras, 21h. Praça Floriano, 07 – Cinelândia.
Preço: 18 reais (inteira), 9 reais (meia).
Festa: Cine Íris, 23h. Rua da Carioca, 49 – Centro. 
Preço: 20 reais (inteira), 10 reais (com ingresso da sessão).
www.cachacacinemaclube.com.br





















19.7.12

Cachaça Cinema Clube
26 de julho de 2012
Sessão especial ENEARTE


O Cachaça Cinema Clube do dia 26 de julho une suas forças ao ENEARTE - Encontro Nacional dos Estudantes de Artes, que acontece de 21 a 29 de julho na cidade. O ENEARTE é um evento itinerante realizado desde 1988, que não só apresenta e conecta a produção artístico-acadêmica de diversos lugares do país, mas também é foro de discussões científicas, políticas e culturais, e espaço de reflexão sobre arte e sociedade.

Para esta ocasião, o Cachaça adere à ideia de painel e apresenta quatro curtas de jovens realizadores, de quatro diferentes estados brasileiros. São filmes exemplares da nova produção do cinema nacional, não só por ter uma dita “nova geração” como realizadora, mas também por lidar com questões contemporâneas da arte e linguagem cinematográficas.

De Pernambuco, As aventuras de Paulo Bruscky, documentário questionador do diretor Gabriel Mascaro, dos igualmente inventivos ‘Um lugar ao sol’ e ‘Avenida Brasília Formosa’, exibidos em diversos festivais internacionais, sempre suscitando discussões sobre os hibridismos da linguagem. Filme feito sem câmera, é um encontro dos avatares do artista e do cineasta na realidade virtual do Second Life

Rafael Urban, do Paraná, apresenta o também premiado Ovos de dinossauro na sala de estar. Neste filme na fronteira entre o real e a representação, somos apresentados a uma senhora e seus esforços na preservação da memória de sua vida.

Convite para jantar com camarada Stalin é dirigido por Ricardo Alves Júnior, de Minas Geraes. Filme minimalista atuado por não-atores, extrai sua força poética da não-ação, do silêncio e da espera, uma direção de linguagem atualmente bastante explorada no cinema brasileiro.

Do Rio de Janeiro, apresentaremos o novo curta de Anita Rocha da Silveira, Os mortos-vivos. Exibido na Quinzena dos Realizadores do último Festival de Cannes, o filme mergulha na juventude e suas questões, tema recorrente da talentosa diretora. 

Os filmes

As aventuras de Paulo Bruscky, de Gabriel Mascaro, 2010, 20’
O artista Paulo Bruscky entra na plataforma de relacionamento virtual Second Life e conhece um ex-diretor de cinema, Gabriel Mascaro. Paulo encomenda a Gabriel um registro machinima em formato de documentário de suas aventuras no Second Life.

Ovos de dinossauro na sala de estar, de Rafael Urban, 2011, 12’
Para manter viva a memória de seu falecido marido, Ragnhild Borgomanero, de 77 anos,  sua viúva fez cursos de fotografia digital e tratamento de imagens. Juntos, eles reuniram a maior coleção particular de fósseis da América Latina.

Convite pra jantar com camarada Stalin, de Ricardo Alves Jr., 2007, 9’
Entre o sonho e a morte, Olga e Marilu esperam um convidado para jantar.

Os mortos-vivos, de Gabriel Mascaro, 2012, 19’
Rio de Janeiro, maio de 2012. João espera por Bia em frente ao banheiro feminino. Porém, ela desaparece misteriosamente. Agora, ele não sabe se ela morreu, foi abduzida ou se apaixonou por outra pessoa.
 
A festa

Após os filmes, a noite segue com degustação da Aguardente Claudionor e da batida de gengibre do Boteco Belmonte. Na pista de dança, DJ H toca beat music generation.

E, em agosto, o Cachaça Cinema Clube completa 10 anos de atividade. Para tal grandiosa data, estamos preparando uma sessão com alguns filmes destaque na história do Cachaça, e uma festa de arromba para comemorar 1 década de resistência cinéfila.

Serviço

Cachaça Cinema Clube
26 de julho de 2012, às 21h no Cinema Odeon Petrobras
Praça Floriano, 07 – Cinelândia.
Entrada: 18 reais (inteira) / 9 reais (meia)
www.cachacacinemaclube.com.br


12.6.12


Cachaça Cinema Clube
14 de junho de 2012
Sessão Videoarte & Performances
Curadora convidada: Camila Cardoso



O cinema, arte recente surgida há pouco mais de 1 século, estabeleceu-se primordial e dominantemente como uma arte de contar histórias. No entanto, ao longo do seu desenvolvimento, a linguagem do cinema seguiu em várias outras direções, bem distantes das narrativas, e bem próximas da plástica, da percepção e da poesia. O Cachaça Cinema Clube do dia 14 de junho celebra esse “outro” caminho do cinema, potencializado pelas (nem mais tão) novas tecnologias, aliando experimentalismo químico, magnético e pictórico à necessidade humano-artística de expressão dos sentimentos, pensamentos e inquietações. Muitas vezes aprisionado em nichos – filme experimental, videoarte... – o Cachaça abre as telas para obras que circularam em museus e instalações e também oriundas de performances, acreditando que o limite entre as expressões artísticas é cada vez mais irrelevante.
A sessão conta com 3 estreias. Minha casa é o mundo, de Gabriel Ghidalevich, é uma trajetória poética gravada no Amazonas, São Paulo, e Rio de Janeiro, que descreve o processo de perceber um caminho pelo meio, e que toda poesia é também um ato. Além do bem e do mar é um trabalho de Zel Nonnenberg, artista que voltou-se para a pesquisa dos campos audiovisuais após se decepcionar com 4 anos de atuação jurídica. Orwo Foma, de Karen Black e Lia Letícia, filmado em 16mm e revelado artesanalmente, é uma experiência de linguagem e química que acabou virando filme, realizado na oficina Corpo Sensível, de Gustavo Jahn e Melissa Dulius - Distruktur.

Completando o programa, Celebrate You , de Julia Pombo, estuda as possibilidades nos embates travados pelo corpo, explorando a força, o gesto, a fragmentação, o movimento e os limites; Luxzs 52, de Abel Duarte, é trabalho literalmente experimental, com sinais de vídeo, áudio e seus ruídos e Insertion Color, é uma vídeo performance de Aletéia Daneluz, uma tentativa de integrar uma paisagem urbana.

Destaques

A curadora convidada Camila Cardoso convocou artistas que brindam a simbiose entre cinema e artes plásticas. Apostando na perspectiva de interação e ebulição de diferentes formatos de uma mesma natureza, comemora a força catártica dessa experiência limítrofe-sinestésica, que tornam indiscernível a arte e a vida.

Os filmes em destaque são um bom exemplo desta simbiose. O circo dos sonhos, projeto do coletivo Gráfica Utópica (Andrei Müller, Flavio Vasconcellos, Gustavo Speridião) é uma obra de posicionamento político, através da arte e nela própria: “a insurreição é uma arte, exatamente como a guerra ou qualquer outro tipo de arte.” O média metragem foi parte de uma exposição no Museu Nacional de Belas Artes em 2011, que circulou por São Paulo, Paris e Noruega e foi premiada diversas vezes por instituições bancárias fomentadoras das artes plásticas brasileiras.

Base para unhas fracas é um filme do artista plástico Alexandre Vogler, cuja obra transita por intervenções em contextos públicos. Em 2008, Vogler espalhou centenas de outdoors que simulavam o anúncio de um comercial de esmalte de unhas no Rio de Janeiro. A imagem exibia as mãos de uma mulher casada ocultando suas partes íntimas, acompanhadas da marca do suposto produto. O trabalho, que exacerbava a abordagem sexista da mulher em campanhas publicitárias, é exibido como auto-retrato da onírica personagem de Base para Unhas Fracas. No filme, realizado em parceria com a atriz Marcela Maria, uma mulher transita nua por ruas desertas do centro do Rio, intervindo em luminosos publicitários e espalhando sua imagem em muros da cidade.

Os filmes:

O circo dos sonhos, de Gráfica Utópica, 2008, 45'
Das nuvens você só leva o raio.

Base para Unhas Fracas, de Alexandre Vogler, 2011, 11’
Durante madrugada, uma mulher nua percorre as ruas do centro do Rio de Janeiro, intervindo em luminosos e espalhando cartazes auto-biográficos pelos muros.

Celebrate You, de Julia Pombo, 2011, 1'30''
Buscando meios de resistir e sobreviver numa era de ontologia declinante.

Além do bem e do mar, de Zel Nonnenberg, 2012, 3' (estreia)
Um chamado, um grito, um sonho, uma utopia.

Luxzs 52, de Abel Duarte, 2010, 2'
VHS experimental.

Insertion Color, de Aletéia Daneluz, 2011, 3'
Video performance.

Minha casa é o mundo, de Gabriel Ghidalevich, 2012, 9' (estreia)

Minha casa é o mundo é uma visão da vida pelo meio, onde todo o extremo é condenável, e toda poesia é também um ato.

Orwo Foma, de Karen Black e Lia Letícia, 2012, 3' (estreia)
Tudo é lindo em uma mulher.

A festa


Após os filmes, degustação das tradicionais Aguardente Claudionor e batida de gengibre do Boteco Belmonte. Na pista, DJ H e muitas surpresas performáticas.

A bilheteria só funciona até às 22h. Evite filas: chegue cedo ou compre seu ingresso antecipado.

Serviço

Cachaça Cinema Clube
14 de junho de 2012, às 21h no Cinema Odeon Petrobras
Praça Floriano, 07 – Cinelândia.
Entrada: 18 reais (inteira) / 9 reais (meia)
www.cachacacinemaclube.com.br
cachacacinemaclube.blogspot.com

14.5.12


CACHAÇA CINEMA CLUBE 
Sessão Gringa
Carta Branca a Eduardo Cerveira
17 de maio de 2012

Há quase 10 anos, o Cachaça Cinema Clube é um espaço privilegiado de exibição cinematográfica, de parcerias e trocas entre festivais, curadores e amantes do cinema. A sessão do dia 17 de maio é fruto desses anos de experiência coletiva, tendo Eduardo Cerveira, experiente programador à frente do Festival Femina e do Festival Brasileiro de Cinema Universitário, como curador convidado. Frequentador assíduo desde o início do cineclube, Cerveira preparou uma sessão com títulos internacionais de grande destaque, que lhe marcaram ao longo dos anos de trabalho em festivais, pensando em agradar e provocar o público específico do Cachaça, “apreciador refinado de celulóide e aguardente.”

A noite começa com o filme mais conhecido da sessão, a animação Rejected, de Don Hertzfeldt. Indicado pro Oscar de melhor curta de animação em 2001 e premiado 27 vezes, Rejected arrebatou uma legião de fãs e se tornou um ícone da cultura pop, frequentemente citado ou referenciado em outras obras. Hertzfeldt tinha apenas 23 anos quando realizou sua obra-prima, que rapidamente ganhou o status de cult. Hoje em dia, após outros cinco curtas e mais de 150 prêmios, goza de uma popularidade sem precedentes no ramo da animação independente, a ponto do festival de Sundance afirmar em seu catálogo que "se os cinéfilos acham que curtas não geram o mesmo hype e base de fãs que longas-metragens, obviamente não ouviram falar de Don Hertzfeldt".

Terminal bar é o documentário da sessão, outra produção norte-americana bastante premiada. Dirigido por Stefan Nadelman, é daqueles filmes achados dentro de casa, nesse caso nas mais de 2.500 fotografias que seu pai Sheldon tirou da clientela durante dez anos como barman e gerente do estabelecimento em questão. Um fotofilme com música envolvente que conta a história e transformação de um dos bares mais barra-pesada de Nova York.

O experimental Outer Space é um dos grandes trabalhos de um dos autores mais conceituados da área, o austríaco Peter Tscherkassky. Segunda parte de sua "Trilogia Cinemascope", é um mergulho sensorial nos devaneios de uma mulher, realizado no seu método artesanal: múltiplas exposições em cada fotograma, quadro a quadro, na câmara escura. Um deleite para as plateias que (ainda) tem fetiche pela criação fílmica-experimental em celulóide. Como já foi dito, "em dez minutos Outer Space atravessa as possibilidades insuspeitas dos erros cinematográficos - uma obra-prima."

Por fim, a ficção Lost Weekend, de Dagur Kári. Seu filme de formatura na Escola Nacional de Cinema da Dinamarca, conta as peripécias de um DJ desmemoriado, após uma noite desastrosa. O islândico Kári seguiu com uma bem-sucedida carreira de realizador, dirigindo três longas-metragens muito elogiados. Aqui ele faz uma fábula que tem tudo a ver com o espírito do Cachaça Cinema Clube. A exibição de Lost Weekend é possível pelo apoio do Instituto Cultural da Dinamarca, responsável pela vinda da cópia 35mm.

Os filmes

 
Rejected (Rejeitado), de Don Hertzfeld, EUA, 2000, 10’
Uma colisão entre arte, comércio cultural e loucura.
Indicado ao Oscar de Melhor Curta de Animação 2001; Gold Hugo no Festival de Chicago 2000 e 26 outros prêmios.
www.bitterfilms.com/rejected.html

 
Terminal bar, de Stefan Nadelman, EUA, 2002, 22’
Durante 10 anos trabalhando como barman e gerente do Terminal Bar, Sheldon Nadelman fotografou a clientela e a atividade, dentro e fora do bar. O filme trata da natureza do estabelecimento, sua transformação de um bar irlandês-americano em um bar gay afro-americano, e dos veteranos, bêbados, drogados, travestis e cozinheiros, do ponto de vista do barman/fotógrafo e de dois artigos jornalísticos contemporâneos.
Melhor Curta-metragem no Festival de Sundance 2003 e 11 outros prêmios.
www.touristpictures.com/terminal_bar


  Outer space (Espaço Sideral), de Peter Tscherkassky, Áustria, 1999, 10’
Perigo de emboscada: noite, uma casa com vista para o mais escuro breu, um mergulho na escuridão.
Melhor Curta-metragem no Festival de San Francisco 2000 e 11 outros prêmios.
www.tscherkassky.at/content/films/theFilms/OuterSpaceEN.html


 
Lost weekend (Fim-de-semana perdido), de Dagur Kári, Dinamarca, 1999, 35’
Emil é DJ. Está perdido. Mas onde?
Grande Prêmio do Festival de Brest 2000; Melhor Filme do Festival Internacional de Escolas de Cinema do México 1999 e 12 outros prêmios.
www.dfi.dk/faktaomfilm/nationalfilmografien/nffilm.aspx?id=26442

A festa


 
     











Após os filmes, tradicional degustação de Aguardente Claudionor e batida de gengibre do Boteco Belmonte. DJ H, o frontman do rockambo tupiniquim, recebe a banda Uisqueletos Extravaganza e suas versões rockabilly de clássicos internacionais, e Lashes, a DJ convidada da noite, tocando músicas refinadas para dançar até o chão.

A bilheteria só funciona até às 22h. Sujeito a lotação. Evite filas: chegue cedo ou compre seu ingresso antecipado.
 

Serviço

Cachaça Cinema Clube
17 de maio de 2012, às 21h no Cinema Odeon Petrobras
Praça Floriano, 07 - Cinelândia.
Entrada: 18 reais (inteira) / 9 reais (meia)
www.cachacacinemaclube.com.br



15.4.12

CACHAÇA CINEMA CLUBE
19 de abril de 2012
Homenagem aos 100 anos de 
Nelson Rodrigues


O Cachaça Cinema Clube finaliza a programação especial de início do ano com a exibição do longa Os sete gatinhos, de Neville d'Almeida, prestando homenagem, em sua 100ª sessão, a Nelson Rodrigues, jornalista, escritor e um dos maiores dramaturgos brasileiros, que em 2012 faria 100 anos.

A obra teatral de Nelson Rodrigues tem grande ligação com o cinema brasileiro. Seus textos foram adaptados para a tela por alguns dos mais importantes cineastas do país, como Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirzsman e Cacá Diegues. Sempre abordando temas de inegável apelo moral e tendo como pano de fundo as tensões sexuais da conturbada vida da classe média urbana, esses filmes lidaram com questões extremamente emblemáticas e alcançaram grande reconhecimento de público. A capacidade que Nelson Rodrigues tem de dialogar como nosso imaginário é tão poderosa que até hoje seus trabalhos continuam a ser encenados, filmados e reinterpretados, com bastante vigor.

Destaque

Adaptando a “tragédia carioca” de Nelson Rodrigues, Neville D’Almeida constrói uma espécie de pornochanchada sofisticada, com atores excelentes e diálogos absolutamente memoráveis. A peculiaridade da direção e a falta de cerimônia para abordar as situações sexuais, transformaram esta obra em uma das mais conhecidas da época. Atualizando elementos da pornochanchada para uma fase de abertura política e moral, o filme contém passagens antológicas do cinema brasileiro interpretadas por um elenco dos mais conhecidos. As frases que saem da boca de Lima Duarte e as atuações de Antonio Fagundes, Ary Fontoura, Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães, bem como a direção do próprio Neville, fizeram do longa um clássico. Filme brasileiro de um tempo bem anterior à vigência, politicamente correta, desse cinema nacional sem peitinhos de hoje, jogando de volta em nosso rosto o gozo de ser voyeur da desgraça alheia.
Destaque para música original de Roberto e Erasmo Carlos.


O filme

Os sete gatinhos, de Neville d'Almeida, 1980, 105'.

Seu Noronha, morador do Grajaú, tradicional bairro da Zona Norte carioca é continuo da Câmara dos Deputados, onde serve cafezinho aos parlamentares. Aracy, sua esposa, a quem chama de Gorda, vive na mais completa solidão. O casal tem cinco filhas, quatro das quais prostitutas. Seu Noronha faz vista grossa para o comportamento de Débora, Arlete, Aurora e Hilda, desde que todas contribuam para o enxoval da caçula. Silene, com quinze anos, interna num colégio de rígida disciplina, é um símbolo de pureza, mantida fora do ambiente familiar e preservada para o casamento. Um dia ela é expulsa da escola por ter matado uma gata prenha.

A festa


Após os filmes, tradicional degustação de Aguardente Claudionor e da batida de gengibre do boteco Belmonte. Além de DJ H, com o melhor da fuck music, a festa contará com a participação do VJ Mão Peluda, colecionador fanático de artefatos pornográficos, terror das celebridades, e de todos que deixaram suas partes pudicas impressas em película.

A bilheteria só funciona até às 22h. Sujeito a lotação. Evite filas: chegue cedo ou compre seu ingresso antecipado.

Serviço

Cachaça Cinema Clube
19 de abril de 2012, às 21h no Cinema Odeon Petrobras
Praça Floriano, 07 - Cinelândia.
Entrada: 18 reais (inteira) / 9 reais (meia)
www.cachacacinemaclube.com.br
cachacacinemaclube.blogspot.com

8.3.12

CACHAÇA CINEMA CLUBE
15 de março de 2012
Sessão Iê Iê Iê
Especial de verão em homenagem a Roberto Farias

O Cachaça Cinema Clube segue em sua programação especial de verão e realiza, dia 15 de março, homenagem a um dos maiores diretores brasileiros, Roberto Farias, que completa 80 anos neste mês. A noite é mais do que especial, exibiremos o imperdível Roberto Carlos em ritmo de aventura, filme de 1968, estreia do Rei como protagonista nas telas do cinema, e o primeiro episódio de uma bem sucedida trilogia.

Roberto Farias iniciou sua carreira nas chanchadas da Atlântida e, logo no seu segundo filme, "Cidade Ameaçada", de 1960, concorreu no Festival de Cannes. Em 1962, consagrou-se com o clássico "Assalto ao trem pagador" e é um dos poucos cineastas brasileiros que conseguiu resolver a difícil equação entre sucesso comercial e qualidade artística. Recordista de bilheteria (a trilogia com Roberto Carlos teve 9,5 milhões de espectadores), Farias sempre apostou no cinema popular de altíssimo nível. E agora, 25 anos depois do seu último filme, prepara-se para voltar a tela grande.


Prosseguindo com o iê iê iê, após a sessão contaremos com o show do grupo Beach Combers, que tocará clássicos da Jovem Guarda em versão surf music. "Na Brasa – Vol. I", disco lançado pela banda em 2011, apresenta os maiores sucessos de Roberto Carlos e da música jovem tais como Namoradinha de um amigo meu, É proibido fumar, Quero que tudo vá para o inferno, Eu te darei o céu, e muito mais. Formado por Bernar Gomma (guitarra), Lucas Leão (bateria) e Guzz (baixo), o grupo conta ainda com a participação especialíssima de Paoli no órgão. Desejamos "que o maravilhoso som dos órgãos e das guitarras Giannini lhe traga de volta aos bons momentos da década de 60!" http://nabrasavolume1.blogspot.com/ (para baixar) http://soundcloud.com/beachcombers/sets/na-brasa-volume-1-1 (para ouvir).


Destaque

Em Roberto Carlos em ritmo de aventura, Roberto Carlos está fazendo um filme quando é perseguido por uma quadrilha internacional que pretende usar sua capacidade musical industrialmente, com ajuda de um cérebro eletrônico. Pra fugir, Roberto corre demais, atravessa túnel de helicóptero e até vai pro espaço. O filme tem José Lewgoy no elenco, é ambientado em paisagens lindíssimas do Rio de Janeiro e embalado por algumas das melhores músicas do Rei. James Bond iê iê iê metalinguístico, pra cantar junto no escuro do cinema. Maior diversão, impossível.

O filme

Roberto Carlos em ritmo de aventura, de Roberto Farias, 1968, 98’

Roberto Carlos, ídolo da música jovem brasileira, é perseguido por um bando que pretende utilizá-lo para a produção em massa de canções, com a ajuda de um cérebro eletrônico. Roberto, que está fazendo um filme com o vilão francês Pierre, é obrigado a fugir de helicóptero, avião, automóvel, tanque e até foguete espacial, indo do Rio a São Paulo e a Nova York e Cabo Kennedy.


A festa

Após o filme, degustação da Aguardente Claudionor e da batida de gengibre do Boteco Belmonte. Antes e depois do show dos  Beach CombersDJ H toca Jovem Guarda around the world.




A bilheteria só funciona até às 22h. Evite filas: chegue cedo ou compre seu ingresso antecipado.

Serviço


Cachaça Cinema Clube
15 de março de 2012, às 21h no Cinema Odeon Petrobras
Praça Floriano, 07 – Cinelândia.
Entrada: 18 reais (inteira) / 9 reais (meia)
www.cachacacinemaclube.com.br
cachacacinemaclube.blogspot.com


12.2.12

CACHAÇA CINEMA CLUBE
16 DE FEVEREIRO DE 2012
SESSÃO ESPECIAL 
ESQUENTA PRO CARNAVAL

Os blocos já estão nas ruas, os passos e coros ensaiados, o povo fantasiado: todo mundo pronto para se jogar na festa de Baco. E é dia 16 de fevereiro, na quinta-feira antes da abertura oficial dos festejos momescos, que acontece o Cachaça Cinema Clube Esquenta pro Carnaval.

Tradicionalmente exibindo curtas, esta noite abrimos uma exceção para o clássico A lira do delírio, longa de Walter Lima Júnior de 1978. Porque nenhum filme poderia ser mais a cara do Carnaval: festa de alegria, fantasia, ilusão e ressaca. Porque foi filmado mesmo no carnaval. Porque tem no elenco Paulo César Pereio, Tonico Pereira, Cláudio Marzo, Antônio Pedro e Jamelão. Porque foi a última atuação da maravilhosa Anecy Rocha. Porque foi fotografado pelo Dib Lutfi. Porque tem o Guri-guri. Porque é um dos filmes mais belos do mundo.

Na trama, Ness Elliot é uma dançarina e taxi-girl, que se envolve com o malandro Claudio e tem seu filho sequestrado. Para ajudá-la, ela procura seus velhos amigos do bloco A lira do delírio. Primeiramente concebido como um musical, a filmagem documental dos atores no carnaval de 1973 em Niterói foi tão surpreendente que acabou transformando o projeto por completo. À época do lançamento do filme, Walter Lima Júnior disse: “Deu-se o imprevisto e graças a ele o filme começou a viver. Um filme, como qualquer obra de arte, exige o risco absoluto. É preciso navegar para conhecer.” A lira do delírio está impregnado do devaneio, da liberdade, e, por que não, da tristeza do Carnaval. É filme para ser visto e revisto, obrigatório para quem gosta de cinema e folia.

Após o filme, acontece o II Baile de Carnaval do Cachaça Cinema Clube. Desta vez contaremos com um bloco de Niterói para tentar reviver um pouco os tempos de filmagem d’ A lira do delírio. A Sinfônica Ambulante surgiu a partir de uma reunião de amigos músicos, no bloco o som dos bateristas e percussionistas junta-se ao sopro dos metais (saxofones, trompetes, trombones e flautas) e uni-se ao ritmo de surdos, caixas, repique, alfaia, derbak... Onde toca-se desde sambas consagrados, como o bom e velho rock and roll, passando por funky, forró, maracatu, salsa, jazz, e improvisos libertinos.


O filme



A Lira do Delírio, de Walter Lima Jr, 1978, 105´
Os participantes do bloco de carnaval A Lira do Delírio se cruzam num cabaré da Lapa carioca, onde o filho de uma dançarina é seqüestrado. Para descobrir o assassino e as razões do crime, ela conta com a ajuda de um repórter policial, que ao mesmo tempo também investiga um homicídio contra um homossexual.


A festa


Após a sessão, degustação das tradicionais Aguardente Claudionor e batida de gengibre do Boteco Belmonte. Na pista, antes e depois do bloco Sinfônica Ambulante (http://www.youtube.com/watch?v=ZfpE2tXh4tU), DJ H toca Meu pipi no seu popo entre outros clássicos da música carnavalesca.




A bilheteria só funciona até às 22h. Sujeito a lotação. Evite filas: chegue cedo ou compre seu ingresso antecipado.

Serviço

Cachaça Cinema Clube
16 de fevereiro de 2012, às 21h
no Cinema Odeon Petrobras
Praça Floriano, 07 – Cinelândia.
Entrada: 18 reais (inteira) / 9 reais (meia)
http://www.cachacacinemaclube.com.br/
cachacacinemaclube.blogspot.com

20.1.12

 CACHAÇA CINEMA CLUBE
26 de janeiro de 2012
Sessão "Eu Vim da Bahia"

Ano novo, vida nova. O primeiro Cachaça Cinema Clube do ano acontece excepcionalmente em uma quinta-feira, dia 26 de janeiro, e vem com a energia da Bahia abrir os trabalhos de um ano muito especial: o de comemoração de 10 anos do cineclube. E a baianidade chega em sua versão mais contestadora, homenageando mais uma vez o mais aguerrido dos cineastas brasileiros, Glauber Rocha. É de Glauber o documentário Jorjamado no cinema, de 1977, retrato de outro baiano fundamental na cultura brasileira, neste ano em que se comemora o centenário de nascimento do escritor. No filme, um dos seus últimos trabalhos, Glauber acompanha o amigo Jorge Amado em casa e em alguns eventos sociais, e, glauberianamente, marca presença no filme tanto quanto o retratado.

Para acompanhar tal clássico do cinema, o cineclube apresenta dois outros filmes baianos, igualmente inventivos, questionadores e premiados. O sarcófago, de Daniel Lisboa, segue Jayme Figura, um personagem mítico de Salvador, um homem que faz do próprio corpo sua obra de arte. O artista é um exato oposto da malemolência baiana, acorrentado e atormentado pelo mundo que carrega nas costas. O cenário é o Pelourinho, mas a imagem é punk rock. O curta foi eleito melhor filme no Festival Cinesquemanovo de 2011 e no 12º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, recebeu o prêmio da Curadoria na 10ª Mostra do Filme Livre, entre outros.


Nego fugido, de Cláudio Marques e Marília Hughes, é filme que transita entre a ficção e o documentário, explorando os limites dentre e entre cada um dos gêneros. O mote é simples e agradável: um casal de namorados, brancos e da capital, vai até uma cidade do interior documentar uma festa popular acerca da resistência negra à escravidão, já o resultado, complexo e perturbador. Dupla intensamente produtiva no novo cenário do cinema brasileiro, eles conseguem, em poucos minutos, apresentar uma série de questões centrais da cultura brasileira: as diferenças culturais, os abismos sociais, alteridade e preconceito.


Destaque

O grande homenageado da noite, Glauber Rocha, terá a exibição de seu média-metragem Jorjamado no cinema em cópia nova em película, em seu formato original 16mm. Iguaria imperdível.

Os filmes












Nego fugido, de Cláudio Marques e Marília Hughes, 2009, 16’
Brinquedo de nego forro fugido é abrir roda para mostrar que tudo é caça e caçador.













O Sarcófago, de Daniel Lisboa, 2010, 19’
Um homem e sua peleja contra o inevitável processo de corrosão da carne e a tentativa de dominá-lo, retardá-lo, ignorá-lo. Um pós-exu, um pré-cyborg que corta a cidade como uma nota rebelde de rock’n roll.














Jorjamado no cinema, de Glauber Rocha, 1977, 36’
O filme foi feito para um programa de televisão consagrado ao escritor Jorge Amado. Nesse documentário, Jorge Amado é filmado em sua casa, rodeado por sua numerosa família; numa livraria, durante uma sessão de autógrafos de um de seus livros, em um cinema em Salvador, na avant-première do filme Tenda dos Milagres, de Nelson Pereira dos Santos, adaptação do livro homônimo de Jorge Amado.

A festa

Após os filmes, degustação das tradicionais Aguardente Claudionor e batida de gengibre do Boteco Belmonte. Na pista, DJ H abre os trabalhos de 2012 com muito balangandã pra atiçar o povo e ver "O que é que a baiana tem?".

A bilheteria só funciona até às 22h. Sujeito a lotação. Evite filas: chegue cedo ou compre seu ingresso antecipado.

Serviço

Cachaça Cinema Clube
26 de janeiro de 2012, às 21h no Cinema Odeon Petrobras
Praça Floriano, 07 – Cinelândia.
Entrada: 14 reais (inteira) / 7 reais (meia)
www.cachacacinemaclube.com.br
cachacacinemaclube.blogspot.com


12.12.11


CACHAÇA CINEMA CLUBE
14 de dezembro de 2011
Sessão de final de ano



Dezembro é o mês das retrospectivas, amigos ocultos e festas da firma. O Cachaça Cinema Clube de 14 de dezembro entra nesse clima de confraternizações e faz uma sessão dedicada ao final do ano, com tudo a que se tem direito: oferendas, promessas de ano novo e intrigas familiares na noite de Natal.

Roupa branca, fogos de artifício, flores ao mar e esperança: Copacabana, belo documentário de 1999 de Flavio Frederico, mostra a virada para os anos 2000 nas areias da mundialmente conhecida praia.

Jesus Cristo e seu pai no divã do analista, tentando resolver problemas originados em anos de convivência: o cartunista, animador e muso do Cachaça Cinema Clube, Allan Sieber, apresenta seu mais clássico e famoso filme, Deus é Pai, em homenagem ao aniversariante do mês.

Erley José, figurante e ator de filmes de Nelson Pereira dos Santos, apresenta seu cult e praticamente desconhecido O milagre de Iemanjá, de 1979.

Destaque

O grande homenageado da noite é o mestre Nelson Pereira dos Santos, um dos mais importantes cineastas do Brasil, fundador da escola de cinema da UFF (de onde surgiu o Cachaça Cinema Clube), diretor de tantos clássicos e obras-primas, e que prepara a estreia de seu documentário "A música segundo Tom Jobim". Exibiremos seu curta metragem de 1981, Missa do Galo, baseado em conto homônimo de Machado de Assis. O filme tem fotografia de Hélio Silva e Walter Carvalho, com atuação de Nildo Parente e grande elenco.

Os filmes

O milagre de Iemanjá, de Erley José, 1979, 10’
Um milagre de Iemanjá em uma vila de pescadores.

Missa do Galo, de Nelson Pereira dos Santos, 1981, 24’
Passado numa noite de Natal no Rio de Janeiro, no final do século XIX, o surgimento de uma platônica e não-consumada relação entre uma tia e seu sobrinho. Baseado no conto de Machado de Assis.

Copacabana, de Flavio Frederico, 1999, 13’
Um mix de sonhos, desejos e muita esperança dos desconhecidos que se juntam nas areias de Copacabana esperando um novo recomeço de ano.

Deus é pai, de Allan Sieber, 1999, 4’
Após milhares de anos de convivência, a relação de Deus com seu amado filho, Jesus, sofreu um inevitável desgaste. Para melhorar a relação, uma terapeuta passará por maus bocados...

A festa

Após os filmes, degustação da aguardente Claudionor, novamente eleita a terceira melhor cachaça do Brasil; e a tradicional batida de gengibre do Boteco Belmonte. A festa segue com a mixórdia musical de DJ H e convidados.

A bilheteria só funciona até às 22h. Sujeito a lotação. Evite filas: chegue cedo ou compre seu ingresso antecipado.

Serviço
Cachaça Cinema Clube
14 de dezembro de 2011, às 22h no Cinema Odeon Petrobras
Praça Floriano, 07 – Cinelândia.
Entrada: 14 reais (inteira) / 7 reais (meia)
www.cachacacinemaclube.com.br